Em meio à crise econômica e
sofrendo com os efeitos da seca, a cidade pernambucana de Caruaru - conhecida
por ter uma das principais festas de São João do país- vai gastar R$ 575 mil
por um show do cantor Wesley Safadão. O valor do cachê foi divulgado nesta
semana pela Fundação Cultural de Caruaru, órgão municipal que organiza a festa,
e é 85% maior do pago pela prefeitura pelo mesmo artista na festa junina do ano
passado. O show está previsto para acontecer no próximo sábado (25). Seis dias
depois, o cantor de forró cantará no São João de Campina Grande, na Paraíba,
por um cachê de R$ 295 mil, sendo 195 mil da prefeitura e R$ 100 mil de um
patrocinador.
Revelado pela banda Garota
Safada, Wesley Safadão é atualmente um dos artistas de maior sucesso do país
com músicas como "Aquele 1%" e "Camarote". Costuma ser
recebido nos shows por fãs histéricas que gritam: "vai, Safadão, vai,
Safadão". Neste mês de junho, Safadão tem 30 shows programados em 13
Estados. Nos dias 24, 25 e 26 fará dois shows por dia em cidades da Bahia,
Pernambuco e Paraíba.
Além dos R$ 575 mil
destinados ao cantor, a prefeitura de Caruaru gastará outros R$ 3,5 milhões com
a contratação de artistas para o São João. Pagará R$ 325 mil por um show do
cantor sertanejo Luan Santana, R$ 280 mil pelo cantor de axé Bell Marques, R$
250 mil pela banda Aviões do Forró e R$ 180 mil pela dupla sertaneja Matheus e
Kauan.
Artistas locais terão cachês
mais modestos. Silvério Pessoa receberá R$ 15 mil e a banda caruaruense Fulô de
Mandacaru, que participa do programa "Superstar", da Rede Globo, terá
R$ 12 mil. O custo total da festa é de R$ 13 milhões. Os gastos contrastam com
a situação financeira e social do município, comandado pelo prefeito José
Queiroz (PDT). Enfrentando os efeitos da estiagem, Caruaru teve situação
emergência decretada pelo Ministério da Integração Nacional em maio.
A cidade de 277 mil
habitantes vive uma situação insegurança hídrica: na maioria dos bairros, os
moradores recebem água por quatro dias e ficam outros oito sem abastecimento,
em sistema de rodízio. A prefeitura também vive um cenário de crise financeira.
Entre janeiro e abril deste ano, a arrecadação do município foi de 187,9
milhões, uma queda de 8% comparado ao mesmo período do ano passado, em valores
corrigidos pela inflação. O gasto com pessoal está em 55,4% da receita, acima
dos limite previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Nesta segunda-feira (20), os
gastos com cachês foram questionados pelo Ministério Público Federal, pelo
Ministério Público do Estado de Pernambuco e pelo Ministério Público de Contas.
Giro pelo País
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