De geração em geração
crescemos escutando a mentira de que a Previdência Social é deficitária, dá
prejuízo e que, com o passar do tempo, afundará o país em uma crise sem
precedentes. Muita gente não tem a menor ideia, mas a verdade é que a
Previdência faz parte da Seguridade Social, garantida na Constituição de 1988 e
possui sete fontes de receitas, que garantem sua sustentabilidade e não se
limitam às contribuições do trabalhador e do empregador. No entanto, setores
interessados na Previdência e seu montante de dinheiro, na ânsia de instaurarem
o colapso e o pânico na sociedade chegam a inventar números imensos,
inimagináveis para a maioria da população, como o caso da notícia propagada de
que se o sistema previdenciário não for reformulado o Brasil terá que arcar com
um custo de R$ 1 trilhão. Com essa prática do terror seguem pavimentando, com o
asfalto da mentira, o caminho necessário para que, no futuro, seja praticamente
obrigatório o cidadão pagar um plano privado para garantir um sustento na
velhice. E, se isso acontecer, quem lucraria com isso? A quem interessa a
“reforma” da Previdência?
Esse processo não é novo.
Observe que já aconteceu com o sucateamento da educação pública, que antigamente
era de excelente qualidade, mas agora os pais, para proporcionar uma educação
decente aos seus filhos, têm de pagar uma escola particular. O mesmo se dá no
sistema de saúde pública que, apesar de existir, praticamente não funciona,
forçando assim os brasileiros a contratarem planos particulares para não
morrerem nos corredores dos hospitais. Com a Previdência Social também estão
fazendo isso. Sob o bonito nome de “reforma”, de fato, possíveis medidas
poderão sucateá-la até que o sistema comece a dar prejuízo, o que seria um
grande mote para a supressão dos direitos ou até mesmo a privatização. Diante
de tanta coisa que já presenciamos os governos fazerem com o dinheiro e os
direitos do povo, fica a pergunta: - Quem garante que essa “reforma” não esconde
um processo para dilapidar o sistema previdenciário brasileiro, de modo
gradativo e silente, para que nas próximas décadas esse setor não se transforme
em mais um produto valioso a ser comercializado pelo mercado financeiro?
O Sindicato Nacional dos Aposentados,
Pensionistas e Idosos da Força Sindical compreende a necessidade de ajustes
pontuais do sistema previdenciário; porém, de forma que os setores da sociedade
e o movimento sindical participem para assegurar os direitos de quem já se
encerrou seu ciclo laboral e também dos milhões de trabalhadores que estão na
ativa e um dia terão de sobreviver com a renda da sua aposentadoria.
Carlos Ortiz, presidente do
Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical
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