
Andar faceiro de rolinha
branca, que sai catando pedrinhas no chão. Estes versos iniciam uma bela
composição do saudoso Zé Marcolino. Tive oportunidade de vê-lo cantar algumas
vezes esta canção, não sei se chegou a ser gravada, enaltece essa ave do sertão
nordestino que a passos ligeiros circulam pelos terreiros das casas à procura
de alimentos e pedrinhas que alojadas no seu papo ajudam no processo digestivo.
Quando menino, reconheço que
não pensava desta forma e através de uma maldade inocente não via a singela
beleza dessa ave, pelo contrário, munido de uma baleeira ficava escondido por
trás das árvores esperando o momento de atacar lançando uma pedra certeira.
Às vezes encontrávamos os
ninhos, construídos com pedacinhos de madeira ou capim, camas macias e
perfeitas presas aos galhos das árvores. Por pura crueldade retirávamos os
filhotes e prendíamos em gaiolas, fabricávamos uma espécie de mingau com
farinha e água que servia de alimento até a idade que passavam a se alimentar
sozinhos. Presos continuavam por toda vida, cantavam uma canção triste e
repetida, expressando talvez o desejo proibido de voar.
O tempo passou e as rolinhas
brancas mesmo com a proibição do IBAMA estão em processo de extinção. O sertão
está diferente e a infância não é mais inocente. Restam-nos as lembranças de
uma época que não pode ser esquecida.
Por Severino Nunes de Melo
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