Segundo o ministro da
Fazenda, Nelson Barbosa, a ideia é estabelecer um limite para o aumento das
despesas a cada ano. Se ficar claro que ele será rompido, o governo poderá
cortar (contingenciar) gastos. Se isso não for suficiente, serão acionadas
cláusulas de ajuste automático para recolocar as despesas nos trilhos no ano
seguinte. São três estágios de medidas que serão acionados em sequência. No
primeiro estágio estão as ações mais brandas. São elas: não conceder novas
desonerações de impostos, não permitir que as despesas de custeio da máquina
tenham aumento real (acima da inflação), não permitir crescimento real das
despesas discricionárias (investimentos, convênios com Estados e prefeituras),
não realizar concurso público e não conceder aumento para os servidores.
No segundo estágio, estão
medidas um pouco mais draconianas. Não será possível ampliar os gastos com
subsídios, barrar aumentos nominais nas despesas de custeio, não permitir
aumento nominal nas despesas discricionárias e não dar reajuste nominal para os
servidores - coisa que ocorre todo ano. Se nem isso for suficiente, então serão
cortados benefícios concedidos a servidores, depois serão cortados os gastos
com os funcionários não estáveis e, finalmente, suspender o aumento real do
salário mínimo.
Custo do mínimo: Com o
anúncio de ontem, o governo federal reconhece o peso e as implicações fiscais
do reajuste do mínimo. O aumento deste ano, por exemplo, vai custar R$ 30,2
bilhões para as contas do governo, pressionando ainda mais o caixa da União,
que já opera no vermelho. Desse valor, R$ 2,9 bilhões não estão previstos no
Orçamento, um rombo que precisará ser coberto com medidas adicionais. A
proposta de fixar teto para despesas ainda está em discussão com governadores e
prefeitos, que poderão também adotar o mesmo mecanismo. Além disso, Barbosa
pretende abrir diálogo com o Legislativo e Judiciário, pois eles também serão
enquadrados nessas regras. Historicamente, os dois Poderes reagem quando o
Executivo tenta conter reajustes salariais.
O teto será proposto em uma
lei complementar a ser enviada ao Congresso até o final de março. Ele faz parte
das medidas que o ministro quer implementar para dar um horizonte de médio e
longo prazos para as contas públicas. Para Barbosa, o limite tem como vantagem
forçar uma discussão sobre a composição do gasto. O teto deve lançar uma luz,
por exemplo, para o fato de aposentadorias, pensões e benefícios sociais
responderem por 44% das despesas da União.
Outra vantagem do teto para
o governo é estabelecer uma disciplina para que eventuais excessos de
arrecadação possam ser poupados. Segundo Barbosa, é possível que esse mecanismo
seja adotado também por Estados e municípios. Outra medida de longo prazo,
disse o ministro, é a reforma da Previdência. O governo deve encaminhar uma
proposta ao Congresso num prazo de 60 dias.
Ascom Força Sindical
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