A Câmara dos Deputados
aprovou na tarde desta quinta-feira (17), a comissão especial que analisará o
pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Foram 433 votos favoráveis
e um contrário à chapa com os 65 nomes titulares e os respectivos suplentes
indicados pelos líderes partidários. O próximo passo, que será dado ainda hoje,
é a escolha, por voto, do presidente e do relator da comissão especial. O voto
contrário foi o do deputado José Airton (PT-CE). Havia 435 parlamentares em
plenário. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não votou.
Vinte e três partidos
entregaram a lista dentro do horário estipulado. Apenas o PP perdeu o prazo,
mas, por unanimidade, pôde indicar os nomes em plenário. Pelo PP, os
parlamentares que vão compor a comissão são Aguinaldo Ribeiro (PB), Jerônimo
Goergen (RS), Júlio Lopes (RJ), Paulo Maluf (SP) e Roberto Brito (BA), como
titulares. Outra mudança ocorreu na relação do PMDB, que conseguiu, em reunião
na manhã de hoje, driblar divergências internas e aprovar uma lista conjunta,
entre alinhados ao governo e insatisfeitos com o Palácio do Planalto. Na hora
da votação da chapa, o deputado José Priante (PA), que era um dos indicados,
decidiu retirar seu nome. O líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), disse que
foi uma decisão pessoal de Priante e pediu para que o partido pudesse indicar o
deputado Altineu Côrtes (RJ) como novo nome. Como o processo de filiação de
Côrtes – que deixou o PR para ingressar no PMDB – não foi concluído
formalmente, segundo Eduardo Cunha, a indicação final foi a do deputado
Leonardo Quintão (MG), que chegou a substituir Picciani na liderança, a pedido
da ala insatisfeita do partido durante o impasse que dividiu oficialmente a
legenda.
A chapa foi aprovada
nominalmente, em turno único. A distribuição das vagas foi definida de acordo
com o tamanho dos partidos na Câmara. Com a janela partidária que permite que
até amanhã (18) seja feita a troca de legendas sem sanções para os
parlamentares, a Mesa Diretora da Casa redistribuiu o número de vagas por todos
os partidos. Cunha disse que espera agilidade “total” da comissão e informou
que, logo após a votação da chapa, ele vai se reunir com os líderes. O
peemedebista lembrou que o ritmo do trabalho depende de prazos regimentais.
“Depende do prazo em que vier a resposta da senhora presidente ao processo. Ela
tem dez sessões para responder. Se responder rápido, será rápido. Se ela levar
as dez sessões, vai levar mais tempo. A comissão é apenas um estágio, quem vai
decidir, no fim, é o plenário, que vai decidir soberanamente”, afirmou.
Com o fim da sessão,
assessores do primeiro-secretário da Mesa Diretora, Beto Mansur (PRB-SP),
informaram que o parlamentar irá, pessoalmente, entregar a notificação sobre o
início do processo à presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto.
Com informações da Agência
Brasil.