O ministro João Otávio de
Noronha, presidente da 3ª turma do STJ, se exaltou ao saber que o ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva havia acusado o STJ de estar "acovardado".
Em um discurso exaltado na manhã desta quinta-feira (17), o ministro afirmou
que: "Essa Casa não é uma Casa de covardes, é uma Casa de juízes
íntegros".
“O ex-presidente, nas
gravações reveladas por sua voz conhecida, dizia que o STJ estava acovardado.
Com a devida vênia, não estamos acovardados. E nunca estivemos. E não estamos
acovardados porque colocamos o dedo na ferida para investigar todos aqueles que
se dispuseram a praticar atos ilícitos e criminosos. Essa Casa não é uma Casa
de covardes, é uma Casa de juízes íntegros, que não recebe doação de
empreiteiras. Não se alinha a ditaduras da América do Sul, concedendo
benefícios a ditadores e amigos políticos que estrangulam as liberdades. Ontem
devia ter saído uma nota desta Casa manifestando sua posição. Mas como não saiu
tomo a liberdade de fazê-lo. É estarrecedor a ironia, o cinismo dos que cometem
o delito e querem se esconder atrás de falsa alegada violação de direitos. Não
se nega os fatos e porque não tem como negar o que está gravado. Essa Casa tem
o perfil de homens isentos, decentes, e se alguns foram indicados por este ou
aquele presidente, a eles nenhum favor deve. É estarrecedor ouvir o que ouvi
ontem. Não me envergonho de ser brasileiro. Me envergonho de ter algumas
lideranças políticas que o país tem. Jamais poderia me calar diante de uma
acusação tão grave. Mostra a pretensão ditatorial, o caráter, a arrogância de
quem pronunciou tais palavras.
A atitude do juiz Moro,
gostem ou não, certa ou errada, revelou a podridão que se esconde atrás do poder.
Se alguns caciques do Judiciário se incomodam ou invejam, lamento. Moro não é
famoso porque está na imprensa, mas porque julgou uma causa que tinha como
partes autoridades brasileiras. O Brasil precisa de muitos Moros e nós do
Judiciário temos que garantir a justiça de 1º grau. Pena que a liderança do
Judiciário brasileiro tenha se omitido ou está se omitindo na defesa da justiça
de 1º grau. É uma crise de liderança que permite este tipo de ataque. A nós
cabe a tarefa de garantir a prevalência da ordem jurídica, processando e
condenando todos que efetivamente se mostrarem culpados. Nenhum sigilo que se
estabelece no processo é em beneficio do réu, e sim da ordem pública, da
investigação. E não é o fato deste ou daquele cidadão ter ocupado cargo de
presidente da República ou ser ministro que justifique tratamento diferenciado.
O Brasil é maior que todos estes indivíduos, que todos os partidos políticos,
que todos os presidentes da República. [Temos que ]saudar o juiz Moro pela
coragem e bravura. Que os juízes Federais têm demonstrado a mesma bravura. E
continuemos com a coragem de pôr a mão naqueles que denigrem a imagem do Brasil
e cometem delitos.
Lutamos para que o rico,
criminoso, não se torne ministro desta República”.
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